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Yo
Minha Graça: SilviaVulgarmente chamada de: Sil Quantas vezes já girei em torno do sol: 18 proveitosas e cansativas voltas nascida em: 20 de Março Me encanta: música, chuva, lápis 6B, amigos, família, clichês (percebe-se), música, desenhar, caneta de nanquim, música, portunhol, quadrinhos, coisas antigas, música, pigmento na emulsão acrílica, um tal de rock and roll, metáforas, sushi, álcool em geral, música, situações, viajar (em todos os sentidos), redenção, redação, música, show, e um pouco de música. O que eu faria com mil reais: Compraria um fusca e pintaria de roxo. O que eu quero meter na cabeça das pessoas: Podem nos tirar tudo; casa, comida e roupa lavada. Podemos ficar na merda, sem ninguém e sem nada, mas aquilo que sabemos, aquilo que conhecemos, aquilo que descobrimos, aquilo que pesquisamos, isso não, isso será nosso para sempre. Adquira o máximo de conhecimento que puder, conhecer novos lugares, novas pessoas, novas experiências, por menor que pareça, sempre vai acrescentar em algum aspecto da tua vida. Filosofia de vida: comer e viajar; as quatro melhores coisas do mundo. shoot me a fucking emeio! :) blogs indicáveis
_Drive-in do Matheus_Arrase ao Lado do Mendigo _Rancho de Alvorada _Vem Quem Que _Shit Happens _Durango _Pilo _Aseli Project _Beesha _El Justicieiro _Celeuma _Confissões de uma Mente Perigosa _Loop Coin _Taxitramas links tolinhos
_Eugene Mirman _Domínio Público _Just Jared _Te Dou Um Dado? _I Don't Like You in That Way _Order of the Stick flogs fodas _9li _Xamã _Minuto _Tinico _Pingarilho _Arte do Cotidiano _Nicole Richie _The Cobra Girl _Biradantas _El Muerto _Ahoraesagora (o meu) créditos
vida vivida
que bueno, que bueno
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Sábado, Janeiro 03, 2009
2008 ou 80
Tava revendo as minhas resoluções do ano que passou, aí resolvi fazer um balanço de tudo e talz. Uma vergonha. 01° - Mudar de emeio... O meu é patético e está comigo há uns sete anos; check. 02° - Contar quantas vezes eu andei de ônibus esse ano (lá pelos quatorze anos eu inventei de medir a temperatura e os mm de chuva, todos os dias... desisti em Fevereiro); desisti em Fevereiro idem, mas recarreguei o 'tri' umas... oito vezes? de 75 passes cada um, you do the math. 03° - Me estressar mais; check. 04° - Levar menos desaforo pra casa; freaking check. 05° - Dar banhos periódicos no Otto; é, não rolou... dá pra contar nos dedos da mão do nosso aprovado presidente quantas vezes o Otto banhou-se... 06° - Tomar banhos periódicos (nota mental); check, check, check. muito espirituosa. 07° - Emagrecer 20kg na praia (afinal, o que são duas semanas e muitas dunas?); duas semanas e muitas dunas são apenas duas semanas e muitas dunas. mas eu perdi 5kg nas últimas semanas! fiz a Escola Fogaça de deixar tudo pra última hora. 08° - Emoldurar todos os quadros que eu estou para emoldurar; não emoldurei necas de pitibiribas. só fiz mais coisas para serem emolduradas. 09° - Falar menos, ser mais circunspecta; Error. 404 File Not Found. 10° - Empezar un noviado con un argentino viril y bonitón que no se importe con mi español furado; olha, argentino viril y bonitón até rolou, español furado também rolou horrores. e foi isso. 11° - Parar de tratar o Otto como se ele fosse uma criança de oito meses vivenciando seu primeiro Natal; mimimi, não consigo. 12° - Fazer novos amigos na faculdade (óinquebonitinha!); fiz, super fiz, ain, côsa bem boa! [/eneida] 13° - Não esquecer dos amigos de idade (só pra rimar); super não esqueço, jamais. quem é meu amigo, merece ser chamado assim. 14° - Estudar de fato, não enrolar; Bruno Munari sabe como me puxei na faculdade, agora estudos à ensino médio... no, no, no. 15° - Parar de me importar com a high society de Manhattan; OMG! I'm so not doing it! 16° - O que eu posso fazer se a vida da Carrie e da Serena são mais interessantes que a minha?; nothing. xoxo, S. 17° - Deixar os dezessete para lá...; super deixei. 18° - ... fazer dieciocho!; super fiz. 19° - Ser menos fatídica e melodramática (choradeira, bateção de porta e muitas orações iniciadas com "eu nunca"); ô, hein... que tempo maluco esse, né? frio, calor... 20° - Eu nunca mais vou me embebedar (he-he); ... será que chove? 21° - Arrumar os nomes e deletar os repetidos da pasta "mp3 recebidos", que, atualmente, comporta 2.319 arquivos; ch-ch-ch-check, check it out! (UPDATE: 2.668 arquivos. Isso quer dizer que baixei 349 músicas em 2008. Que coisa.) 22° - Plantar uma árvore, escrever um livro e fazer um filho; hã... 23° - Bonsai, publicação do meu blogger e o Otto contam como, right?; ... ah, super contam. 24° - Arrasar na elke, beesha!; check, bee! 25° - Não escrever mais resoluções. Elas são bestas; check. 26° - Parar de baixar seriados no meu computador; sim, né, com Gossip Girl à milhão e a estréia de 90210... jura. 27° - Fazer uma casa simples e dar emprego pros Sims, nada de klapaucius; (!) - hãn? hãn? (N) acho que não joguei nenhuma vez esse ano. 28° - Rosebud... que mentira; que mentira mesmo. 29° - Manter meu quarto em ordem; check. ( - Silvia! Sai dessa merda de computador e vai arrumar o teu quarto! ) 30° - Submergir uma casinha de lego em um aquário com peixes; Más experiências com peixes neste ano. 31° - Usar mais o verbo "submergir"; check. check? 32° - Escrever um dicionário Português - Beeshes / Beeshes - Português; ai, alôca, super não fiz! não me jogay nessa, pintósa, força na peruca pra 2009, segura o tupéti! 33° - Melleu vai ter que me ayudar nessa; no que a Melleu não me ajuda? - fica a pergunta. 34° - "Hãããã, nem sabe!" - Ser menos exagerada; NOT CHECK. 35° - Eu preciso saber da piscina; check. 36° - da margarina; check. 37° - da Carolina; check. 38° - da gasolina; check. 39° - Ouvir e assistir à mais coisas nacionais; check. 40° - Riiio, 40°, cidade maravilha, purgatório da beleza e do caos (8)(H); semata. 41° - Tomar mais banho de chuva; check! 42° - Comprar mais roupas; cheque. 43° - Ver mais filmes; foi um ano pouco cinematográfico, para ser bem sincera. 44° - Aprimorar minhas já geniais sacadinhas; como se precisasse. beijosmeliga. 45° - Inventar um blog novo que esse aqui já está se esgotando; inventei já, mas ele só vai rolar em 2009 mesmo. 46° - Não de mim, mas sim, sua capacidade - que fique bem claro; lógico. 47° - Usar mais coisas de cetim, cetim é lindo; saldo: 1 único vestido de cetim. 48° - Tentar excluir "beesha", "arrasa" e "se joga" do meu vocabulário; alôca! não arrasou na resolução! se joga no beeshes! 49° - Não parecer esquisita na faculdade. Não parecer esquisita na faculdade. Não parecer esquisita na faculdade. Não parecer esquisita na faculdade; pareci esquisita, mas aí encontrei outros tão esquisitos quanto. atoroan. 50° - Postar periodicamente, tenho abandonado em demasia o blog; ah, vai... check. 51° - Parar de usar "demasia", "exarcebado" e parar de ouvir o Milho; ouço o Milho em demasia. 52° - Beber mais vinho; check. 53° - Beber menos ceva; ceva minimalista, onde menos é mais. 54° - Fazer um piercing no mamilo esquerdo, que nem a Nicole Richie; check. 55° - Eventual lida da minha mãe no blog: brincadeirinha, hihi; ah, te peguei, mãe! hihi. 56° - Ver menos televisão; pior que check. 57° - Ler mais; check bem na manha. 58° - Escrever mais; check. 59° - ... mais. (he-he); abso-fucking-lutely check. 60° - Expor qualquer porcaria minha no Café da Oca; 2008 foi um belo ano para se colecionar "nãos", nem tive coragem de pedir na Oca 61° - Responder o "auto-retrato" do DonnaZH; check. 62° - Só de brincadeira, jura que o inimigo iria me publicar; alôca. 63° - São perguntas interessantes, nem vem; ... de garfo que hoje é dia de sopa. 64° - Parar de chorar nas propagandas de Natal Zaffari e Bourbon; "- é que eu não queria ser o burriiinho". Missão Impossível. 65° - Parar de chorar vendo filmes bobos ("mas paaai, é triiiste!"); meu recorde é encher meia garrafa dessas de 500ml vendo Um Amor Para Recordar. 66° - 6; for those about to check! (N) 67° - Patinete... é, tá, nevermind; vergonha alheia própria. 68° - Frango assado... é, tá, nevermind; vergonha alheia própria. (II) 69° - (6); 1969 70° - Aprender as coreografias da Gretchen; pô, esqueci disso! 71° - E a do Sidney Magal em "Tenho"!; e disso também! 72° - Ninguém me leva a sério, mas eu gosto deles de verdade, ouço em casa; ouço mêrmo. 73° - Criar coragem e passar um "louro acinzentado" no meu cabelo; não passei... 74° - You worth it (Laetita sendo dublada); vale muito. 75° - Comer melhor; check. 76° - Viajar mais; check. 77° - Comer melhor; check, na velocidade 5! 78° - Viajar mais; cheech. 79° - Parar com ambigüidades; não rola. 80° - Freqüentar e prestigiar mais os shows d'rock gaúcho de Porto; check, mas bem de canto 81° - Desenhar mais, bem mais, muito mais, até encher o saco; check. 82° - Concluir - de fato - um gibi; not check. 83° - Ser vencedora inter-grupal de bisca (quarteto, me aguarde); não rolaram campeonatos sangüinários esse ano. 84° - Ganhar de alguém com mais de oito anos de idade no xadrez; "- é que eu não queria ser o burriiinho". Missão Impossível. (II) 85° - Entrar em todos os lugares que eu não pude entrar quando menor de idade; check ( jogar a fake ID fora: check aussi ) 86° - E sair dando carteiraços, bem baicuara - como diria meu pai; Tiiiiinga, teu povo te aaaama! 87° - Seja lá o que "baicuara" means; pois é. 88° - Dirigiiiiiiiir; not check. 89° - Não escrever resoluções, mas sim, "prognósticos" - é mais fino, mais minha-fase-cetim; ai, adoro. 90° - Eu queria que voltassem os anos sessentaaa, eu queria ficar lúcido até os noventaaa; tô triste com a Vera Loca. 91° - Ouvir mais meus pais; éé... check, naquelas. 92° - Evitar pitis chiliquentos da minha mãe; comofas/ 93° - Ser uma filha querida; check. 94° - Ser uma boa colega; check. 95° - Ser uma boa cidadã; check. 96° - Ser uma boa amiga; check. 97° - Ser uma boa irmã; check. 98° - Ser uma boa guria (-20kg!); not check. 99° - Ser uma boa desenhista; so not check. 100° - Arrasar com meu cetim e o louro acinzentado. super duper not check. P.S.: Terrível, terrível... eu sou Terrível (101° - Parar de assistir ao show do Rei na virada). surpreendentemente, check. 2009: um novo ano de velhas frustrações.
postado pela querida Sil às 20:32h
Quinta-feira, Janeiro 01, 2009
Parte 4 de 4 - Meu reino por R$ 0,25
Pois bem. O último dia. Considerando o fato de que, a esta altura do campeonato, fazem quase dois meses que eu entrei - e saí - do mercado da panfletagem, as coisas já não estão mais tão mornas como costumavam estar. Vendo essa história de longe, concluo duas coisas: primeira, valeu a pena; segunda, eu e o Lehman Brothers não passamos de vítimas. Já entrou 50% do pagamento na minha conta, o resto entra agora em Janeiro. Imagino que, quando necessário, M. saiba sacanear legal. O último dia da panfletagem foi tranqüilo, me remeteu bastante ao dia anterior, cujo o qual eu encontrei a Luíza naquele ar bucólico que o ambiente do TRF traduz, tudo muito lindo. O relevante desse dia, apenas, foi a minha honra jogada na sarjeta, escarrada e esfregada no asfalto quente, uma tristeza só. Estava eu, serena, distribuindo os panfletos sem espalhar os encosto e as maldade, numa relax, numa tranqüila, numa boa, cuando de repente, de atrás de ese arbol, se aparece él. Um sujeito que aparentava lá seus cinqüenta e alguns muitos anos, de terno, pasta, arrogância, sapatos caramelo e sorriso excessivo. Uma típica "pessoa-panfleto", M. ficaria orgulhosa em me ver entregando o papelzinho azul ao senhor. Logo me adiantei, sorri e dei bom dia (aquele ambiente arborizado despertava até o "bom dia" em mim), estendendo o meu ganha-pão (com pão entende-se algum vestido carérrimo para a filhinha de papai aqui) ao velho galanteador, que descia de um taxi e ganhava a calçada, em direção ao TJ. Ao me ver, ele abriu mais ainda seu largo sorriso e, para a minha surpresa, era ele quem me estendia algo agora: 25 centavos, imagino que fosse a moeda que ele recém havia ganho de troco no táxi e não sabia o que fazer para se livrar daquela rebarba. Vinte e cinco centavos. Vinte e freaking cinco centavos. - Quanto é o panfleto? - Ah, eeh. O panfleto é de graça. - Mas eu não quero o panfleto. - E eu não quero a moeda, obrigada. Ele ficou parado por um bom tempo com aquela moeda, estendida para mim. Eu já havia posto o panfleto, negado por ele, junto com os outros no meu montinho de panfletos causador de tendinites, mas ele seguia com a moeda na mão. A situação durou poucos segundos, claro, mas soou como longos minutos. Não soube como reagir ao sorriso e à brincadeirinha de "quanto é o panfleto?", também não soube como reagir quando ele me ofereceu a moeda. Fiquei puta, mas tinha que ser educada e controlada. Essa coisa de "levar na esportiva" nunca foi lá o meu forte. Mesmo depois de eu ter negado a moeda, ele seguiu com ela ostentada no ar por alguns instantes, até se dar conta de que eu, de fato, não pegaria. A minha vontade era a de largar aquele bolo de papéis que eu segurava no chão, rasgar aquele tailleur que estava curto no meu braço com os dentes e apontar o dedo na cara do cara "olha aqui, meu filho, no dia que eu precisar de esmola, deixa que eu mesma peço, viu, e peço no Rubem Berta ainda, quero distância de ti e dessa tua gente toda que acha que a sua formação é a coisa mais legal do mundo, mas guess what, não é, vocês são um bando de perdedores mal comidos que perderam tempo se formando nesta bela bosta e vindo trabalhar nesse lugar de merda, espero que tu, teus sapatos caramelo so last season bagaceiros chinelões e a tua grana pro táxi se explodam, quero o teu mal, a tua infelicidade e, por sinal, me diz teu nome completo que é pra quando eu ver teus parentes no obituário da ZH eu poder rir alto". Só vontade mesmo, porque eu me cabi a negar a moeda e AINDA AGRADECER. Muito bonito, meus parabéns, Silvia Pont, você é muito controlada. O resto é história, Luíza e eu, ao fim da labuta, comemos o habitual morte-lenta e agradecemos pela linda oportunidade. Foram apenas quatro dias, mas que renderam muito fio pra meada. Valeu a pena pela grana, pela experiência e pelos posts rendidos. Espero que M. e o tiozão dos 25 cents se casem e tenham muitos filhos, honestamente. Gracias a la vida, que me ha dado tanto, me dió dos luceros que, cuando los abro, perfecto distingo lo negro del blanco... beijosmepanfleteia. postado pela querida Sil às 14:02h
Sábado, Dezembro 06, 2008
Parte 3 de 4 - I didn't come here to find out, theeeeere's a weakness in my faaaaith!
Mudança de ares. Mas, dessa vez, não seria apenas ganhar o Ministério Público verticalmente, seria uma mudança de ares de verdade. Novo endereço. Tribunal Regional Federal, a.k.a TRF. No meu papel dizia que ele ficava na frente do Praia de Belas, eu posso não entender de prédios de justiça, mas de shopping, ah, de shopping eu saco. Fui, com aquela calça social caíndo da cintura e os 30°C discutindo com o blazer. Mas tudo bem, valia a pena. Chegando lá ( mas que vergonha! só tinha maconha..., okay, eu preciso parar com isso ), o prédio que eu achava que era, na verdade, é o TRT. A informação no meu papel estava errada. Conseguia ouvir as risadas maléficas de M. ecoando pelas paredes. Coitada, aquilo nem deveria ser responsabilidade dela. Mas enfim, a culpa é minha e eu ponho em que eu quiser. Caminhando e fingindo sotaque para pedir informações na minha própria cidade, descobri que o TRF era um pouco longe dali. Como eu não sabia qual ônibus pegar, resolvi ir a pé mesmo, era mais garantido. Suor, cabelo desgrenhado, saco cheio e má vontade. Nada que eu já não esteja acostumada. Mal, pero acostumbráu. O TRF fica praticamente no Parque Harmonia, o ambiente é arborizado, bonito, tranqüilo, quase não passam carros nas ruas estreitas. Aquilo me acalmou bastante, até o cabelo voltou para o lugar. Mas foi aí que a expressão "porto seguro" fez mais sentido do que nunca: na escadaria do Tribunal de Justiça, que fica ao lado do TRF, vi uma pinta com um ar infeliz e morimbundo, usando roupas ridículas e se esforçando ao máximo para parecer uma pessoa simpática e de bom tom. - Luíza! - Sil! Nesse momento entra baixinho, ao fundo, Love By Grace, interpretado pela Lara Fabian em um dia de chuva, com o pianista inspirado e os fás sustenidos (?!) bem afinados. Quem não conhece a música, baixe-a; cria toda uma atmosfera musical sentimental ao post. Enfim, corri ao encontro dela e me senti tão, mas tão bem em ver um rosto conhecido e amigável ali que esqueci de tudo o que me atrapalhava. Aquele dia passou bem rápido, nós nos revezamos nos dois prédios e conseguimos distribuir todos os panfletos, filtrando bem as pessoas para quem os entregávamos. Tudo lindo e azul. Só pelo fato de saber que ela estava ali perto, já passava a má-vontade. Almoçamos o mais menos salutar cachorro-quente de van e caminhamos até a rua onde passa a linda lotação que vai para a faculdade. E todos foram felizes para sempre. Menos a Lara Fabian, ela parece realmente triste e deprimida com aquela música. Fim. P.S.: Pensam que essa história se estanca por aqui? Sim? Pensam? Assuma, senhora, assuma! Falou, falou, todo mundo viu! [/tangos e tragédias] postado pela querida Sil às 20:45h
Quarta-feira, Novembro 26, 2008
Parte 2 de 4 - Oi, Boa Tarde, Obrigada
Tudo começou com um abuso trabalhista. Um pouco antes da labuta, recebi um telefonema da Bruna dizendo que a M. pediu para eu ir até a "agência" deles conversar com ela, provavelmente eu seria encaminhada para outro lugar e tchãns. Aí tá, beleza, fui. Chegando lá ( mas que vergonha! só tinha maconha [/anos 90] ), M. apenas me deu mais uma pilha de panfletos do tamanho do meu antebraço, como se eu já não tivesse panfletos o suficiente para aquele dia, e algumas coordenadas, que poderiam ter sido dadas por telefone. E, claro, me mandou de volta para onde eu teria ido direto da faculdade no ar-condicionado, dama da lotação. Me senti lesada. Como a "agência" ( não sei porque estou usando aspas, enfim ) fica relativamente perto do Ministério Público, não teria porque eu não ir a pé. O único empecilho seriam os 30°C e a ventania que fazia em contraste com o meu vestido, em pleno viaduto, acho até que a ponte dos Açores esboçava uma risada da minha cara. Fiz a Monroe. Mas tudo bem. Valia a pena. ( Fade Out ) Não, não valia a pena. Se ontem havia sido difícil... Era só nisso que eu pensava. Dessa vez, as pessoas repetiam-se. Todos "já tinham pego ontem", ninguém queria a porcaria do panfleto ou, sequer, a minha presença ali. E aquela roupa... o meu outfit do dia consistia na tal saia lápis, com camisa branca e um blazer cinza escuro, sem contar na meia-calça, nos sapatos pretos e na angústia que me revestia. Eu comentei com a Luíza "nossa, espero que ninguém nos veja assim!", e ela rebateu com algo interessante, disse que, feia e quadrada, não é nem questão de as pessoas repararem na roupa. Com essa roupa, as pessoas não reparam em ti. E é verdade. Naquele hall de entrada do Ministério, é como se eu não existisse. A roupa não passa de uma capa da invisibilidade. Ser quadrado é ser invisível. Passados uns quarenta minutos, eu me dei conta de algo que me abateu, que mexeu feio com o meu coração; as meninas do balcão, que eu julgava minhas béstis, agora pareciam revelar sua verdadeira face. Ao me sorrir e me mandar eventuais "joinhas", me deu conta de que eu não passava do entretenimento delas. Elas deveriam apostar milhões de dólares pra ver quantos "nãos" eu levava por dia, deveriam haver rodadas e rodadas de bolões pra ver se a M. apareceria pra me dar conselhos ou não, enfim, elas estavam ali, sem muito o que fazer, e eu estava ali, na frente delas, sem muito... sem muito. Me observavam, mas não soavam mais tão amigáveis. Começou a bater uma depressão de estar ali, "sozinha". Minha mãe tinha toda a sua razão quando ficou triste com o meu comunicado de ser "panfleteira" por alguns dias. Mas minha filha, isso está tão aquém das tuas capacidades!. E aquela roupa... nossa, tudo começava a me atrapalhar. 12:40h, por incrível que pareça, uma joaninha pousou em mim. Não sei como ela entrou ali, mas isso, meus caros, para mim, é sorte. E, se eu realmente estava com sorte, tinha que abusar dela. Não pensei duas vezes e fui ao banheiro botar meu vestido azul, lindo e confortável. Que diferença faria? Os panfletos iriam estar sendo distribuídos da mesma forma. O vestido tinha a mesma cor que o panfleto, um azul escuro tendência. Senti até que o fluxo dos panfletos aumentou quando eu tirei o bege-bolha desse corpinho cujo qual ele não pertence. Uma das coordenadas que M. me dera naquela inútil ida à "agência" ( can't help it ) era a de que, quando o relógio marcasse 13h, eu deveria subir para a cafeteria e distribuir os panfletos lá. Legal, mudança de ares. Fui até as meninas do balcão para fazer o registro que me permitiria avançar verticalmente pelo prédio, foi então que uma gota de esperança pingou em mim. Comentei com elas, na tentativa de fazer a simpática, "ai, gurias, será que tem problema eu ficar vestida assim?". Logo a que estava com a minha identidade na mão, dedilhando meu RG, largou abruptamente "Que é isso, Silvia, tá linda assim!", seguido de um sorriso. Senti o queixo tremer, segurei a lágrima. Como é que alguém fala isso para uma menina menstruada, sabe? Isso é uma coisa que não se faz. Contrariando as regras da humanidade e do cosmos, constatei que pessoas bem alimentadas são mais rudes e hostis. A saída da cafeteria foi uma desgraça, ninguém pegou nem um mísero panfleto. Mas tudo bem. Valeu a pena pelo simples fato de eu ter feito o cadastro para poder subir no prédio. O MP é dividido em dois prédios, o Norte e o Sul, e há passarelas que os interligam no oitavo e no décimo quarto andar, se eu não me engano. Como não há prédios muito altos próximos ao MP, a vista dessas passarelas sempre me soou como algo estonteante e, como eu já estava ali, não custava nada. Peguei o elevador e fui ao oitavo andar. Só que a passarela não era tão evidente quanto eu achei que fosse. Caminhei por ali e não encontrei, até que dois meninos, aproximadamente da minha idade, que conversavam na frente dos elevadores, notaram que aquela deveria ser a oitava vez que eu passava por eles. Um questionou "Tá procurando a passarela?" "Sim..." "Entra nessa sala aqui, é a porta do fundo". Agradeci e entrei na "nessa sala aqui". Desde então, tenho sonhado algumas vezes com a tal sala, juro. Era um lugar onde o branco predominava uns 85%, todo envidraçado, com pequenos "cubículos" de trabalho, desses com a parede baixinha, que vemos nos filmes. Muito medo daquilo. Atravessei a sala sinuosa, contornando os cubículos, e cheguei na porta. Incrível. Lindo mesmo, acho minha cidade o máximo. E o vidro tem uma leve coloração azul petróleo, deixa a coisa mais poética. Aquilo já fazia o dia valer a pena. Desci, pro posto inicial. Lá embaixo, as coisas continuavam as mesmas. Comecei a fazer anotações por horário. 13:21h - Três pessoas passaram reto. Total. Ainda meio que se esconderam. Tudo bem não pegar o panfleto, mas se sentir ignorada é bem complicado... 13:22h - Tendinite leve. 13:23h - Me dei conta de que eu virei um robô. Só sei falar "oi" e "obrigada". 13:26h - O plantão Gossip Girl começou entre as meninas do balcão. Logo depois de passar alguém, elas quase sempre fazem um comentário. Seja na reputação ou da roupa da pinta. Adoro. 13:52h - Parei de classificar as pessoas como Estagiários, Prestadores de Serviço, Pessoas Mais Velhas e Pessoas-Panfleto. Agora só classifico como os mal e os bem comidos. Mal comido, bem comido. Dá pra notar logo de cara, é impressionante. 14:00h - Só mais meia-hora. Em homenagem a isso, vou incluir "boa tarde" no vocabulário robótico. 14:01h - Sempre que sou pega fazendo anotações pelas meninas do balcão, sinto uma certa repressão. 14:06h - Resistência física arregando... 14:10h - Começo a sentir um cheiro estranho. Acho que é o de cansaço misturado com tédio. Juro, tem cheiro sim. Cansaço e tédio, um aroma e tanto. 14:14h - Deu, chega de "boa tarde". Simpaticismo no cu dos outros é refresco. postado pela querida Sil às 20:05h
Quarta-feira, Novembro 12, 2008
Parte 1 de 4 - Pessoas-Panfleto
Quadrada. Bege. Bolha. Madras. Não sabia com qual tipo de exatidão eu poderia definir o meu outfit. Uma calça de tecido preta com uma prega na frente, individualmente bonita; o problema era o resto. Camisa branca, blazer preto e a clássica melissa bico fino sem salto do Herchcovitch, da coleção de 2004. O alargador e o transversal ficaram. Eram a única coisa que fazia o contraponto, só pelo fato de serem cinza. Cabelo preso, pouca maquiagem e muita... monocromia, diga-se de passagem. Passamos uma vida inteira construíndo uma reputação e uma identidade fashionista para ela se fragilizar a tal ponto e em tão pouco tempo. Mas tudo bem, valia a pena. Argentina, design, Soho. Valia a pena sim. É claro que não deram cinco minutos e eu já consegui sujar a blusa branquinha com rímel, mas enfim. Como fui direto da faculdade, me troquei lá mesmo. Duas meninas do design de moda passaram por mim e me lançaram um olhar de desprezo de quem diz "nossa, amiga, que chato que deve ser ser tu, hein. tu fazes do mundo um lugar mais feio, menos habitável e mal freqüentado", mais ou menos o olhar que eu vivo fazendo para as pessoas na rua. Bem chato. Mas tudo bem, move on. Antes de sair da faculdade, eu e a Lú ainda trocamos um "boa sorte, amiga, tu tá horrorosa assim". Chegando lá, iria encontrar a contratante M., que daria as últimas coordenadas e, com azar, ficaria um tempo lá supervisionando a coisa toda. E onde já se viu Silvia Pont dando sorte, não é mesmo? Logo que cheguei, descobri que ficaria no hall de entrada, onde o trânsito de pessoas é maior. E, realmente, era um fluxo interessante de se trabalhar; nem tedioso, nem rápido demais a ponto de ser pouco detalhado. As meninas do balcão, logo que me olharam com a minha beca invocada, fizeram ar de desdém. Quando viram que eu iria ficar ali distribuíndo panfletos, rolou uma comoção, não paravam de me sorrir e me mandar "joinhas", "se joga, bee", enfim. Super me senti parte da classe trabalhista assim, cheguei a ouvir o estalo que o site do IBGE deu ao fazer um update no seu gráfico da PEA. Bem tendência. M. ficou de canto por um bom tempo ali, ia e vinha, subia e descia aquele prédio, sabe-se lá o que ela estava fazendo. Veio me dar algumas dicas depois de uns instantes, e uma delas ficou latejando na minha cabeça um tempo. "Tenta achar as pessoas-panfleto, sabe? Dá preferência pra quem tem foto no crachá, tem muita gente aqui que é só prestadora de serviço, ou estagiários, esse não é o nosso foco, evita os estagiários, não dá panfleto pra segurança ou pessoal da limpeza ( oh, really? ), tá bom?". Só para constar, o panfleto é um informativo de um concurso público para a área de direito, ou seja, pessoas formadas. Aí começou a minha incessante busca pelas tais Pessoas-Panfleto. Em meio aos sorrisos furtivos das meninas do balcão, fui me dando conta que eu fazia algo do qual eu realmente sou boa: analisar e classificar pessoas. 1.4 - Estagiários: Era o que mais tinha. Meninas cor de terracota com cabelos loiríssimos, muitos saltos de camurça e cadernos com temática infantil. Uma ou outra de algum tênis indefinido ou all star, mas todas preenchendo severamente o perfil de "estagiária de direito". Algumas levando a incubência realmente a sério, outras, viram Legally Blonde demais. Os meninos, eu diria que poderiam existir três abrangências: os bombados que não pensaram em nenhum outro curso melhor e estão mais ali pelas meninas terracota, os que deveriam fazer qualquer outra coisa menos aquilo mas acabaram ali por achar que daria um futuro e os, suspiro, que darão bons advogados. Homens de terno com cara de canalha e sorriso de canto, cara de quem sabe o que está fazendo, mas o all star nos pés evidencia a baixa idade. Vi uns dois desse tipo, apenas. 2.4 - Prestadores de serviço: todos que passavam pela roleta com um crachá sem foto e que não tinham cara de direito, literalmente. 3.4 - Pessoas mais velhas: Todas as mulheres com saltos absurdos, sorrisos simpáticos e camisas caras. Todos os homens com ar de mau humor, pastas de couro e pinta de quem nasceu com um cigarro na boca. 4.4 - Pessoas-Panfleto: Os que restavam; que não eram nem velhos demais para já terem um concurso público ou algo que valha, nem jovens demais para sair por ali desfilando com um caderno da Pucca. Passadas duas horas, de pé, entregando panfletos, comecei a ficar nervosa. Checava o celular de dois em dois minutos. Aquele ar-condicionado e aquelas pessoas me pareciam algo pouco salutar. Uma leve tendinite no braço. Um leve sufoco pela roupa e pelo ar falso. Eis que algumas peculiaridades distrativas foram acontecendo. 1.3 - "Boa taaarde, meninas, até amanhããã", disse uma das meninas do balcão, atravessando o saguão e indo embora. O "meninas" abrangia as outras cinco companheiras e, pasmem, eu. O rosto sorridente dela fez uma curva de 270° me incluíndo no "até amanhã". Fiquei honrada. Sorri tapando a boca, "fiz a gueixa", como já diria o Mutarelli. 2.3 - Uma velhinha bem da maluca entrou ali e nem as meninas do balcão ou os seguranças tiveram coragem de tirá-la, já que ela não estava atrapalhando ninguém. O problema foi quando ela percebeu que eu estava distribuíndo panfletos. Deve ter acompanhado alguns casos para chegar a conclusão de que, ao passar na minha frente, eu entregava. Mas não podia entregar para pessoas-não-panfleto, ordens de M. herself. A senhora estava sentada numa poltrona atrás de mim. Ela levantou, foi pela direita e passou na minha frente, retornando à poltrona. Nada fiz. Dessa vez, vinda da esquerda, ela repetiu a cena, mas deu um "rasante" em mim, como quem tenta acionar um sensor de entregagem de panfletos. Nada fiz. Aí ela parou do meu lado. Olhei rápido em volta, nem sinal de M. Entreguei um rápido e segurei de gritar "esconda isso, não diga de quem recebeu e agora vá, fuja! corra pela sua vida!". Foi bem tentador. Ela agradeceu e foi embora. Medo. 3.3 - Entrou uma funcionária carregando a melhor arma distrativa do mundo: um bebê. Foi uma comoção geral, vieram os seguranças, as meninas do balcão e até umas faxineiras que estavam por ali ver o embrulho que a moça carregava. Tudo naquele lugar precisa de crachá, burocracia, identificação, seguranças, meninas balconistas, mas basta entrar um bebê que a guarda baixa total. Fiquei até com ciúmes, ninguém mais me sorria furtivamente. Se eu fosse um ladrão, essa seria a hora de agir. Sabe, eu poderia estar matando, roubando, mas não, estou aqui, distribuíndo panfletos e peço a sua colaboração, meu senhor, minha senhora. O bebê foi embora. Que alívio. Quando faltavam uns cinco minutos ainda, eu ouvi alguém chamar meu nome. Não era ninguém. Pronto, eu estava ficando louca, hora de ir embora. M. é uma mulher de poucas palavras, apenas me ofereceu uma carona para o centro e disse que me via no dia seguinte. Eu poderia ir já. Antes, claro, troquei de roupa e saí do Ministério, esvoaçante e colorida, com óculos escuros gigantes e abusivos, com minhas músicas "Também Somos Hype" rolando nos fones, os light latejando de alegria e a minha cara de desprezo meio abalada pela tamanha falta de uso. Até amanhã, MP. Amanhã é um novo dia. Beijosmeprocessa. postado pela querida Sil às 21:44h Resolvi tomar vergonha nessa cara que vos escreve e aceitei a proposta de uma amiga muito querida que me ofereceu um "freela", primeira vez que eu faria meu próprio dinheiro... só não pensei que renderia mais do que isso.
O Tempo e o Vento (do ar condicionado)
Tudo começa com uma ligação. Estava eu, meus pensamentos, os light e um sentimento de urgência, enquanto o intervalo de um curso de extensão da ritter se... estendia. - Oi, Sil! Olha só, eu tenho um trabalho aqui e eu pensei em ti e na Lú pra fazer e tal ( eufemismo para "as duas que ficam de perna pro ar vendo gossip girl o dia todo" ), blá blá blá, começa amanhã, que te parece? - Pô, Bruna, valeu, tava querendo mesmo! blá blá blá nos falamos à noite! Aí tá. O esquema, nada mais era, do que entregar panfletos. Não na rua, no centro, pra qualquer pessoa, mas sim um "entregar panfletos" mais empetecado. Ministério Público, Tribunal Regional Federal, Assembléia Legislativa, biriri bororó, com direito a tailleur e tudo mais. Quatro dias, uns pilas que valiam a pena. Um futuro investimento pra voltar na Argentina, participar do Diseño en Palermo 2009 e tostar tudo em Soho, na tentativa de criar tendências e/ou imitar as gossip girl. Beleza, vamos nessa. A Bruna deu as coordenadas, as dicas e os itinerários meus e da Lú. Beleza, vamos nessa. "Vocês vão ter que usar uma roupa mais formal, gurias, a empresa disponibiliza até, deixa eu entregar pra vocês". Beleza, vamos nessa. A Lú foi pra Assembléia, eu, pro Ministério Público. Das 11:30h às 14:30h. O quão difícil pode ser, né? Uma pessoa com dois neurônios consegue fazer isso... e eles nem precisam estar se comunicando! Quatro dias, três horas cada, dois itinerários: MP e TRF. Logo de cara, não pude deixar de associar à trilogia "o tempo e o vento" do Érico, já que é tudo questão de ver o tempo passar lá fora e sentir o vento quando algo importante acontece... o vento do ar condicionado, sem nada de importante acontecendo, mas enfim. Já que eu sempre opto pela escola Mutarelliana, resolvi fazer também a minha trilogia de quatro ( "aaah, fez de quatro, é?! he-he-he" [/piada de firma] ) . Segue a narrativa, que a Sapucaí é longa. postado pela querida Sil às 20:25h
Segunda-feira, Outubro 20, 2008
12:13h. Almocei o número 17 do cardápio, com o meu pai. Ele almoçou o do dia, 20/10. 2 pratos. Ambos cansados. Nós dois, não os pratos. O dia começou cedo, 6h. Não passei muito bem, não sei ao certo porque, mas vomitei bastante. Banheiro sujo. 4 tampinhas de pinho sol resolveram o problema. Fui no dermatologista, ele queimou uma verruga que crescia no meu dedo. Ele receitou uma pomada para as manchas do meu pescoço, 2x ao dia. 9:43h Est. Monte Cristo, 810 - Vila Nova, Porto Alegre, 91750000. Sociedade Cemitério São José de Vila Nova. A anestesia do meu dedo passara, e eu sentia a queimada da verruga. Pouco, mas sentia. Mas isso era irrelevante, o clima do cemitério abafava esse incômodo. A senhora que me criara, vulgarmente chamada de "babá", faleceu hoje, aos 81. Faziam anos que eu não sabia dela. Me senti culpada por não tê-la procurado esses anos que passaram. 20/10. É a morte dela, é o aniversário de uma amiga que eu tenho muito apreço. 81, 18. Mera inversão. Contei 4 lágrimas caídas. As outras gotas de humor ficaram segregadas nos olhos. Vi uma menina chorando. Uma menina de uns 5 anos. Ela me lembrou eu. O mundo foi injusto com ela. Eu tive o que ela jamais poderá ter, e ela é bisneta. Ela é 4ª geração. Eu não conheci bisavós e já não tenho avós. Só um avô. 2 avós, 2 avôs e eu só tenho 1. O mundo foi injusto comigo também. Ela me lembrou eu. 11:04h, computador. Curriculum Vitae. 2 páginas de suma da minha vida. 2 páginas do que eu já fiz de útil. 18 anos com 1.453 caracteres de utilidade. Enviei para a Padre Cacique, 2000. Fundação Iberê Camargo. Sempre se espera pelo melhor. 12:13h. Almocei o número 17 do cardápio, com o meu pai. Ele almoçou o do dia, 20/10. 2 pratos. Ambos cansados. Nós dois, não os pratos. Os pratos estavam bons. A comida, não os pratos. 13:24h, Casa do Papel, rua Uruguai, 279. 50 folhas canson com gramatura de 120, tamanho A2 e 30,40 reais. Me senti lesada. Mais alguns lápis, 3 6B, 2 4B e 1 2B. 6 lápis, 1,50 cada. 9 reais em lápis. 39,40 no total. Em cash. Cashmere. Me senti muito lesada. 29°C marcava o pirulitão. Com cuidado de não estragar meu lápis chiquérrimo de 1,50, fiz um coque no meu cabelo com ele. 13:48h já marcava o pirulitão. Oscilou em 30°C. Aquilo me assustava. Na fila, esperando o 195, uma menina olhava os 6mm da minha orelha. Ela deve ter achado estranho. Ela me lembrou a menina do enterro. Mas ela não estava chorando. Se ela estivesse chorando, eu iria achar que era do meu alargador e ia me sentir horrorosa. Mas ela não expressou nada. Eu estava horrorosa de qualquer forma, 29°C, o pirulitão brincava com meus sentimentos. 13:51h, o 195 TV chegou. Sentei na 4ª fileira, janela. Liguei o MP4 na música 97. 1979, Smashing. 97, 1979. 97, 79. Mera inversão. Passaram-se os aproximadamente 20 minutos habituais. Acho que dormi. Fiquei em casa um tempo, o apartamento 301 é um bom refúgio. Principalmente o quarto do fim do corredor. 18:02h, de volta para o centro, de volta para o pirulitão irônico. Ele não havia mudado muito. Shakedown. Esperei pelo 263, Orfanatrófio. ônibus sempre caótico, sempre lotado neste horário. Naquela fila, foi suspirado sutilmente o primeiro do dia. E o único, esperava. Orfanatrófio, 555, Alto Teresópolis. Centro Universitário em semana acadêmica. Foi suspirado um novo, mas esse sim, seria o último. Não mais o único. 20h, layers, photoshop CS3, Coredes2008.gif 333% RGB/8. Não sei o que isso significa. Nesse meio tempo, escrevi. A aula transcorre sem minha compreensão ou atenção. Não é exatamente uma aula, é complementar da semana acadêmica. à regra, eu não precisaria estar aqui. E não deveria. Amanhã tenho que acordar cedo. Agora, o relógio marca 22:10h. Comi 4 reais mais cedo. Não 4 reais, mas um valor disso em um gaseificado e um assado. Esses 2 ítens agora querem companhia, já que às 6h foi tudo vomitado e, nem o número 17 das 12:13h, ou os próprios recentes 4 reais, fazem efeito. 22:13h. Amanhã tenho que acordar cedo. Amanhã usarei os abusivos 39,40 em cash. Me sinto lesada só de lembrar. Amanhã as 120 gramas de papel e o risco do 6B farão a diferença em 4 desenhos de 15 minutos cada. Prova específica da UFRGS. 5 letras, tanto sofrimento. UFRGS. 22:17h. Acho que ele vai encerrar a aula. Ele pede para "save as". "Save ass", associo. Ele pergunta o semestre em que estamos. 2°. Futuramente serão meus alunos, diz. Droga, causei má impressão, se eu soubesse disso antes ainda... poderia ter save my ass. 22:18h. O relógio do computador ri tanto da minha cara quanto o pirulitão. "Mas enfim, acho que por hoje, era isso. agradeço a presença de vocês, a chamada... vou fazer a chamada". Droga, ele sabe meu nome. postado pela querida Sil às 22:19h
Domingo, Setembro 28, 2008
planning everything for two
doing everything with you and now that we're through I just don't know what to do Aí que eu fui lá e perdi meu telefone. Há controvérsias sobre como eu perdi meu telefone, mas o fato foi que eu perdi meu telefone. Há alguns anos atrás - alguns poucos anos atrás, inclusive -, celular era completamente incomum, tenho duas remotas lembranças da infância que envolvem celular; uma delas sou eu e um amigo brincando com a tartaruga dele na sala, quando adentra pela porta seu pai, com um Nokia preto daqueles enormes, com as listrinhas em volta da tela, mas HOLLY SHIT, o que era aquela pulcritude tecnológica que agora ofuscava o ambiente? E ainda tinha aquele jogo divertidíssimo da cobrinha, dava para guardar números de telefone, dava até para receber mensagens e, peraí, ele telefona também? Ah, tá me pegando...! Mas não; era tudo realidade. Um tempo depois, a tartaruga do meu amigo se jogou da sacada da área de serviço. A outra remota lembrança foi quando o meu pai entrou com um "deles" em casa. Minha mãe não deixava eu e minha irmã brincar com o celular, ela dizia que dava câncer no cérebro. No fundo, ela também tinha medo que o celular desse, de fato, câncer no cérebro. Na nossa antiga casa havia um armário branco embutido com portas de vidro verde ( ganha um prêmio quem também tiver esse marco do design de interiores em sua habitação ), o celular ficava lá e nossa, como eu tinha medo daquele armário... criei uma linha imaginária que sempre era contornada ao ter que passar na frente do armário. Hoje em dia, eu durmo abraçada no meu celular. Ou melhor... dormia. Tipos que como eu pretendo ser gossip girl sem meu celular? É que nem show da virada sem Roberto Carlos, é algo que simplesmente não pode funcionar. Esses dias têm sido de pura tortura, eu o escuto tocar, eu o sinto tremer na bolsa... Não dá pra viver assim. Dia #1 Tá, muita calma nessa hora. É só ficar tentando telefonar, uma hora alguém atende e cobra resgate. Será que tão cuidando bem dele? Ele deve estar lá sozinho... no frio... na chuva... no escuro... com medo... Eu quero meu celular de volta :'( Dia #2 Pica, sempre cai na caixa de mensagens... tá, só tentar de novo. Tá, eu nem preciso muito do meu telefone mesmo. Posso viver sem. É até uma sensação de liberdade e coisa e tal. What a feeling. Dia #3 - Opa, Silvia! Tu por aqui, hãn? Quanto tempo, tudo bem contigo? - Sua chamada está sendo encaminhada para a caixa de mensagens e estará sujeita a cobrança após o sinal. Dia #4 Recarreguei meu celular antigo. Ele não tem linha, mas é tão confortante tê-lo para me fazer companhia enquanto eu caminho pela casa, ando pela rua, durmo... É como se eu ficasse carregando um cachorro empalhado pela coleira, sabe, tudo questão de força de hábito. Mas nada do meu celular ainda... que mundo triste. "Você pensa que essa história se estanca por aqui? Pensa?... Assuma, senhora, assuma! Falou, falou, todo mundo viu" [/tangosetragédias] postado pela querida Sil às 11:29h
Segunda-feira, Julho 21, 2008
Tu quoque, Brute, fili mihi?
Cá estava eu dando minha voltinha rotineira pelo popoholic, sem desejar mal a nada e a ninguém, sem espalhar as maldade e os encosto, sem botá os fio dos ôtro nas maconha, quando, de repente, me deparo com a cena do quadro da dor sem moldura. Dê uma boa analisada neste printscreen: Pois bem, ressalto se ainda não evidente: isso... ... e isso Tipo... sabe? postado pela querida Sil às 20:22h
Segunda-feira, Julho 14, 2008
Esses tempos lembrei do dia em que eu perdi meu dente. E ri - pra caralho - sozinha. Aí comecei a pensar que, nossa!, faz um ano isso. Faz um ano que eu saí correndo atrás do Santana e houve, literalmente, uma pedra no caminho. Mas, quando não se perde um dente, é sempre bacana andar de ônibus. É como tomar um banho; é um momento seu, de intensa reflexão momentânea, de avaliação dos tempos, de evasão no espaço. É maravilha, albertô. São trechos da cidade que vão se construíndo ao longo de um caminho que nós já sabemos por onde trilhará, é aquela excitação de ver um pedestre conhecido e não poder cumprimentar, é levantar bem antes da parada por saber que, do cobrador à porta de trás, na hora do 'rush', é uma atucanação longa como a Sapucaí, enfim, é sempre peculiar. Ler, ouvir um som, conversar, o ônibus é o momento de espairecer, ele é sinônimo de pressa e objetividade porém, por si só, é um momento de tranqüilidade onde a única solução é esperar - e, se for o caso, culpá-lo! Ônibus atrasado é sempre uma desculpa que cola. Ou ainda enguiçado, ou ainda lotado, ou ainda "meu bus atropelou uma pinta na João Pessoa, acredita!?". Sempre cola. Fora que é ecológicamente correto fazer as andanças diurnas de ônibus, o transporte coletivo é sempre alguns carros a menos emitindo cêódois por aí.
postado pela querida Sil às 21:28h
Sexta-feira, Junho 27, 2008
oy oy oy my friend Johnson
Poois bem. Cá estou eu, num cinza dia portoalegrense, onde as coisas murcham, as mãos congelam, os pés trincam, os ânimos acalentam, a Sapucaí cresce e o gato dorme - muito, por sinal. No princípio deste mesmo mês que, ahora, está por nos deixar, o bloguxinho aqui fez cinco anos. Não que seja lá muito relevante, mas é algo interessante de se *sinônimo para "relevar" no infinitivo*. Faz tempo que não escrevo, faz tempo que não desenho, faz tempo que não vou ao aeroporto sem objetivos. Não que o tempo tenha sido um grande hiato, mas voltar à rotina é sempre desanimador. O tempo agora deu um belo solavanco, convivo com pessoas novas e freqüento lugares diferentes dos habituais. Novos e diferentes, porém geniais, divinos e maravilhosos, porém novos e diferentes. Laissez-faire, c'est la vie. Não caí na real ainda, apenas trupiquei nela. Li minhas resoluções para dois mil e ocho... já é metade do ano, me cabia um balanço. Desisti de contar os ônibus em Fevereiro, não emagreci vinte quilos, não virei circunspecta, no soy novia de un argentino viril y bonitón, não sou menos fatídica, não dei um mísero banho no Otto, não usei mais cetim, não escrevi o dicionário Beeshes-Português, não botei meu piercing no mamilo esquerdo que nem a Richie, não viajei mais nem comi melhor, não viajei mais nem comi melhor, não parei com ambigüidades (percebe-se), não concluí um gibi, não ganhei um torneio de bisca, não ganhei de alguém com mais de oito anos no xadrez, não parei de me importar com a high society de Manhattan e tenho certeza que assistirei ao show do Rei na virada para 2009. Eu não presto pra pica alguma. postado pela querida Sil às 11:17h
Sexta-feira, Maio 09, 2008
postado pela querida Sil às 22:25h
Quarta-feira, Abril 23, 2008
No dia em que eu me apaixonei por um anão travesti...
Me encanta los vicios
Nessa internet furada e sem graça, há sempre a luz no fim do túnel. Há sempre aquele profile que faz valer todas as andanças por comunidades, há sempre aquela fofoca quente que vale todas as páginas do just jared e, sem dúvida, há sempre aquele vídeo - mas aquele! vídeo - do youtube que nos dá a nítida ilusão de que as horas gastas de cliques e mais cliques não foram em vão. Como já disse o Teixeira Coelho, no seu "O que é Indústria Cultural", não há, portanto, por que condenar a indústria cultural sob a alegação de que ela é uma prática do entretenimento, da diversão, do prazer. O prazer é, sempre, uma forma do saber. E La Pequeña Amy Winehouse (lê-se "ámi uínrraus") está aí para nos provar, do alto de seu salto e seus poucos centímetros, que o prazer é, de fato, uma forma do saber. yo soy la pequeña amy winehouse yo soy una viciosa... me encanta la droga a las terapias: no no no! y me sigo gustando los vicios... jajaja Para conferir a musa, clique aqui ou aqui aqui também rola! y donde está machine? :( postado pela querida Sil às 16:02h
Terça-feira, Abril 22, 2008
Um aquário, um protozoário, um otário... e eu.
Conversas com quem não responde (ou ainda "um aquário vale mais do que mil palavras")
Nossa, era um dia quente. Foi logo depois da aula, talvez não fosse um dia quente não, mas eu corria pelo centro. Correr pelo centro de Porto Alegre faz a Sibéria parecer a região norte de Angola (seja lá o que a minha geografia furada quis dizer com isso). Era Agosto, o Ramiro recém tinha falecido. Não sei se foram as andanças de ônibus, a saudade (saudades de mim ou dele?) ou a água quente que eu botei no aquário, de pena. É, acho que o dia era frio, a correria que fez parecer quente. Lembra disso? Eu te escolhi porque tu eras a mais diferente. Tinham muitos iguais à ti, não sabia qual pegar. Na hora a idéia parecia genial. Quando ele me contatava durante a viagem, não era para saber de mim, ou eu saber dele, ou eu saber da piscina, da margarina, da Carolina, da gasolina; era para falar do Ramiro. Escreveu que o Ramiro sempre se assustava quando ele jogava a chave na mesa. Foi, provavelmente, a escrita mais legal vinda dele nesse tempo todo. O Ramiro morreu no dia anterior ao aniversário dele, por isso achei que a idéia de dar-te no aniversário era uma boa. Não sei se ele se afetuou tanto com o Ramiro quanto eu, mas pareceu que sim. Maldita idéia de por água morna. Não era quente, era morna. E era pouca. Maldito peixe sensível. Vocês teriam se dado bem com ele. Seria legal ver os três no mesmo aquário. Tu tinhas um lacinho no pote do presente. Foi difícil te tirar do aquário. Eu te seguia com o dedo para não perder-te (tá certa essa ênclise?) naquele mundaréu de peixes, um cardume absurdo num aquário de 130cm², enquanto o vendedor da zimmer desbravava a água com sua redinha. Ele não atendia o celular. Te peguei com uma mão, o aquário maior vazio, debaixo do braço, o celular estava na outra mão e a bolsa pendurada. Queria que ele fosse atropelado por não atender aquela porcaria. Aquele dia era dia de ele ser grosso. Eu nunca sabia quando ele tirava o dia para ser imbecil ou não. Ele nunca facilitou meu trabalho de descobrir. Incrivelmente achei ele, no último instante, naquele centro infernal. Ele te pegou, gostei do nome que ele te deu. Ele gostou de ti. Ele até perguntou por vocês há dois ou três dias atrás. Na época tu tinhas manchas laranjas e era perolada. Agora, és toda laranja. Quase não te reconheci quando fui buscar vocês dois. Tu eu não conhecia direito, mas, segundo ele, tu eras cor de chocolate. Agora és laranja também. Não sei se isso é bom ou ruim. Essa última escamada me assustou, desregulava o ph da água diariamente. Ele disse para eu não me preocupar. Na minha ausência, ele cuidou bem do Ramiro, se eu acordasse com um de vocês boiando no aquário durante a ausênia dele, ia me sentir o último dos seres humanos. Nem contei nada da oodiniose. Nem contaria. Protozoário oodinium pilullaris dos capeta; queria espalhar os encosto, as maldade, botar os filho dos outro na maconha. Foram, literalmente, marés difíceis aquelas. Mas tudo bem. Eu não tinha mais o número dele na minha agenda, o identificador de chamadas não reconheceu aquele "toque". Percebi quem era logo de cara, com aquele "oi" deliciosamente cretino que só ele faz. Disse que vocês estavam bem. Que se ele quisesse buscá-los, era só aparecer. Se ele decidir que sim, espero que venha em um dia que eu nem esteja em casa, eu não preciso estar em casa. Mas não queria que vocês fossem. Gosto demais de vocês dois. Não gosto do que vocês representam e do que vocês me recordam, mas vocês são muito bacanas. Melleu disse-me desacreditar na capacidade de alguém de "gostar muito" de um ser que não possa ter uma ereção. Não tenho certeza se vocês dois são realmente um casal desequilibrado que não deixam o outro se alimentar sem atucaná-lo, podem ser dois machos ou duas fêmeas, não importa o sexo ou a ereção (ou a falta de), eu adoro. Demais. Desligue a televisão e vá ver um aquário. Acho que nunca vou aprender quando ele tira o dia para ser grosso ou não. Perdi o interesse. postado pela querida Sil às 12:53h
Sexta-feira, Abril 18, 2008
canja de galinha não faz mal à ninguém
postado pela querida Sil às 19:31h
Domingo, Abril 13, 2008
Blue Sunday (ou ainda "O Post Pós Show do Doors")
ufa... agora já posso morrer. postado pela querida Sil às 20:56h
Terça-feira, Abril 08, 2008
o fato já estava consumado, ocorreria dali um mês ou menos, a questão era a aceitação
minha vida sem mim
Essa noite tive um sonho tenso demais. E sonho mesmo, não foi pesadelo, de forma alguma. Pesadelo foi um que eu tive lá na praia, onde todos os homens - até os argentinos hermosos! - usavam sunga e algumas pessoas estavam de pochete... nossa, não gosto nem de lembrar. Enfim, sonhei que eu morreria. Mas não era um beco escuro com uma arma na minha cabeça, nem alguém me atropelando. Era uma morte longíqua, aconteceria em um mês ou menos. Um mês, com sorte. Era uma doença terminal, mas não haveria degradação, eu simplesmente morreria, meus órgãos parariam de funcionar e não havia o que fazer. Fui em mais de um médico, e todos lamentavam, me indicavam cruzeiros e formas de aproveitar a vida nos últimos dias. Médicos não devem fazer isso, ou fazem? O que mais me surpreendia era a minha mãe: estava perfeitamente calma, como quem tem a situação sob controle. Ela não queria transparecer pena ou qualquer outra coisa, então agia da melhor e mais planejada forma possível. Pena, numa hora dessas, é só para os pelicanos. No sonho, eu tinha três grandesíssimos problemas: o que fazer para aproveitar meu último mês de vida, tentar não chorar o tempo todo como eu estava fazendo e, o pior de todos, como contar para as pessoas. Afinal, quando morre-se, uns contam para os outros, é que nem anúncio de festa no salão de festas do prédio do Joaquim: no fim, todos ficam sabendo. Mas se tu sabes que vais morrer, como faz para contar para os outros? Ao longo da vida, vamos adquirindo pessoas e pessoas, formando vínculos quase familiares, amigos excelentes que nós adoramos demais e sabemos o quão recíproco é. Primeiro, soaria como uma brincadeira, depois, soaria como besteira, depois soaria como isso-está-perdendo-a-graça-silvia, aí viria a pena, a aceitação, e a pena de novo. Sem pelicanos. Eu chorava, me controlava, e tentava contar para alguém. Nossa, como era difícil. E o que fazer? Curtir a vida adoidado, fato. Mas o que? Viajar, enlouquecer, tudo sem conseqüências. No meu sonho, eu e uns amigos explodimos um cinema... nada a ver, que idéia tosca. Depois, fui tomada por um sentimento horrível: o de injustiça, vingança. Era injusto que só eu iria morrer, que justo eu tinha pego aquela doença raríssima e tinha prazo de validade estampado na testa. Não valia, não queria mais brincar. Nunca se pensa assim, é que nem ser a favor da pena de morte: é algo que simplesmente não se faz. Mas era incontrolável. Queria ver mais gente morrendo. Meu subconsciente é do mal. Talvez alguém tenha morrido na explosão do cinema, o que já tinha sido um alívio. As pessoas ao meu redor foram descobrindo, e o que mais me matava era a pena, e não a doença. Esses tempos fui ver Bucket List, tem uma parte que o Jack Nicholson fala que o que mais mata as pessoas são essas visitas em hospitais, e não a doença em si. É mesmo, pelicanos nunca são bem vindos. Pessoas cobertas de pena não são boa companhia, a não ser que elas estejam vestidas de galinha. Aí seria interessante. Acordei. Não cheguei a morrer, apenas acordei. Acordei meio confusa, por alguns segundos parecia que eu ainda ia morrer, acordei com aquele peso nos ombros, aí percebi que nada mais era do que obra daquilo que Freud explica. Cheguei a folhear o Dicionário da Psicanálise, da Elisabeth Roudinesco e do Michel Plon, procurando alguma interpretação, mas não saquei ao certo onde eles queriam chegar. Lembrei daquele som dos Casca também, que tem um trecho que diz "no dia em que eu morrer, não lembre do tempo que perdemos, lembre do tempo que eu te dei". no dia em que eu morrer, não me mande flores no dia em que eu morrer, não me peça favores no dia em que eu morrer, não morra de amores no dia em que eu morrer, não fique com pena de mim postado pela querida Sil às 12:27h
Segunda-feira, Março 31, 2008
Barata pode ser um barato total!
Tudo que você disser Deve fazer bem Nada que você comer Deve fazer mal Sua vida na cadeia do pensamento Que de um momento pro outro Começa a doer... lááááá... lálálálálá-lá... lááááááá... lálálálálá-lá! postado pela querida Sil às 15:52h
Domingo, Março 30, 2008
Tudo o que louças sujas e volume no 28 podem proporcionar
Silvia Mostarda, na cozinha, com a faca
- Se você, pretende... Saber quem eu sou, eu posso lhe dizeeer... Entre no meeeu carroo, na estrada de Santos, e você vai me conheceeeer... Vooocê vai pensar que eu não gosto nem mesmo de miiii-im, e que na minha idade, só a velocidade, anda juuuunto a mim! colher-ensaboada-microfone Só ando soziiinho, e no meu camiiinho, o tempo é cada veeez melhor - Menor, Silvia! - Oi? - Menor! O tempo é cada vez menor! - Ah, é!... recoloca os fones Preciso de ajuuuda, por favor, me acuuuda, eu vivo muito sóó! - Ai, minha filha, eu te acudo! Não viva só! Héhéhé - Tá, mãe, sai! Deixa eu curtir Roberto Carlos em paz! "Sai! Deixa eu curtir Roberto Carlos em paz"... sei lá, só achei a frase boa demais pra guardar só pra mim. postado pela querida Sil às 14:00h
Sexta-feira, Março 21, 2008
niiiiiiiiiiiiiiiice
Gêmeos, parte VI
postado pela querida Sil às 12:40h |